quarta-feira, 7 de março de 2012

Deus e o Palhaço.

"Se existe, então, para as coisas que fazemos, algum fim que desejamos por si mesmo e tudo mais é desejado por causa dele"(Ética a Nicômaco - Aristóteles).

'... Ao descer a montanha, que se chama “montanha do silêncio”, Beobachter exclamou para o seu lar: ― De agora em diante se chamará “montanha humanidade”. E assim foi feito.
Passava por perto um sábio senhor, que era aclamado santo por proteger os tesouros de Deus, ao ouvir isto gritou a Beobachter :
― Como ousa dizer isso a tão bela morada de Deus? Onde Ele soberano habita, acaso não ama a Deus?
― Amo o Humano.
― Maldito sejas tu! E suas palavras... Como...
― Dizes “maldito sejais a mim” enquanto tu busca afastar-se do humano, busca algo além do humano?
― Como pode? Buscar ao homem, criador de toda miséria, busca aquele que sustenta o pecado? Busca a quem busca o mau? Indagou o santo.
― Não! Busco o humano, e o que me falas não diz respeito ao humano! E em nenhum momento foi visto o humano na historia.
Continuando o seu caminho Beobachter pôs a refletir e observar o que a pouco tinha ocorrido:
― “Este senhor é mesmo sábio” disse consigo mesmo o que tudo observa, ele próprio me respondeu uma pergunta sem que o tenha perguntado:
“É capaz o homem de criar e sustentar algo? Ou tudo tem o seu sustento em um... Deus?”
Foi esta a pergunta que outrora me levou as montanhas.
“Busca aquele que cria e sustenta o pecado?” era essa pergunta para mim uma resposta! O homem é capaz de sustentar o que se diz mal, logo é também capaz de sustentar e criar o que é bem... Mas o que vem a ser bom? Para alguns o mau pode ser bom? É necessário algo que esteja além disso tudo.
Nada além do humano deve ser almejado, e nada deve ser almejado além do humano!'(Trecho do livro "Beobachter, O Filho"; Italo S. Melo).


Um palhaço, um zombador, é capaz de crer em Deus? Um palhaço vive apenas para o sorriso... Deus viveria apenas para faze-lo sorrir?
Antes de crer ou não em um Deus, ou vários, a pessoa quer crer na vida, crer no viver, e por vida e viver entenda-se também a tal vida após a morte, e em um povo que sequer tem uma vida antes dela, quão grande é a força da vontade da vida após a morte.
E mesmo isso não é capaz de unir tamanha nação! pois não é uma identidade, nós crescemos sem tal "identidade cultural filosófica".
Antes de dedos apontarem para mim, não estou adentrando em discussões religiosas, antes quero apenas demonstrar algo que é intrínseco a todos, e que por isso vem antes, independente do meu ou do seu crer, ou do crer do papa ou do dalai lama...
 Esse algo é a própria vida que temos, o aqui e agora, muitos verão isso como "sentido da terra", mas quero propor não o sentido da terra, antes o sentido da vida, que vivemos aqui e agora, é essa que liga você a mim, e a todos que estão lendo essas palavras chatas, uma outra vida merece preocupação quando vivermos essa outra vida, se ela existe ou não, se ela é uma sequencia dessa vida, vai depender de variáveis, vai depender do seu crer, não estou querendo dizer que esse crer não é palpável, mas que o "aqui e agora" é mais palpável, merecendo mais atenção, e independente de variáveis que só tem causado confusão no decorrer dos anos.
Viver essa vida requer viver essa vida, viver outra vida requer primeiro duvida, requer primeiro morrer, devemos ter antes a coragem de viver essa vida, e quando a outra vida chegar, se chegar, devemos ter a mesma coragem para vive-lá.
Que cada ato seja feito com a coragem de viver esta vida, que já é por bastante distante, se houver outra vida, viverei ela, mas nessa vida me interesso apenas com essa vida...
E você? qual vida está vivendo?